Como interpretar os níveis de vibração de uma máquina
Série: Introdução à análise de vibração
Após realizar uma medição de vibração, surge uma dúvida bastante comum: esse valor está normal ou indica um problema?
A resposta nem sempre é simples.
Embora existam normas que ajudam a classificar os níveis de vibração, interpretar corretamente uma medição exige considerar também o histórico do equipamento, suas condições de operação e a tendência das medições ao longo do tempo.
Neste artigo, você entenderá como avaliar os níveis de vibração de forma prática e quais fatores realmente merecem atenção.
Um valor isolado nem sempre conta toda a história
Imagine que um motor apresente uma vibração de 1,2 mm/s.
Esse valor, sozinho, não permite concluir se existe um problema.
Agora imagine duas situações:
Motor A
- Há um ano apresenta valores entre 1,1 e 1,3 mm/s.
Motor B
- Há três meses apresentava 0,4 mm/s e agora chegou a 1,2 mm/s.
Os dois motores apresentam praticamente a mesma vibração.
No entanto, o segundo demonstra uma mudança significativa de comportamento e merece uma investigação.
Por isso, acompanhar a evolução das medições costuma ser mais importante do que analisar apenas um único valor.
Existem limites para a vibração?
Sim.
Normas internacionais, como a ISO 20816, estabelecem faixas de referência para diferentes tipos de máquinas.
Essas faixas ajudam a classificar a condição do equipamento, indicando quando a vibração é considerada aceitável ou quando merece atenção.
Entretanto, esses limites são referências gerais. Cada equipamento possui características próprias, como potência, velocidade de rotação, tipo de montagem e aplicação.
Por isso, os limites definidos pela norma devem ser utilizados em conjunto com o histórico de funcionamento da máquina.
O que observar durante a análise
Ao interpretar uma medição de vibração, procure responder algumas perguntas:
- O valor aumentou em relação às medições anteriores?
- O crescimento ocorreu de forma gradual ou repentina?
- A máquina está operando nas mesmas condições das medições anteriores?
- Existe algum ruído ou aquecimento incomum?
- Houve alguma manutenção recente?
Responder a essas perguntas ajuda a evitar conclusões precipitadas.
Nem toda vibração elevada significa uma falha grave
Em alguns casos, a vibração pode aumentar temporariamente devido a mudanças no processo produtivo.
Por exemplo:
- Alteração da carga da máquina;
- Mudança na velocidade de operação;
- Produto diferente sendo processado;
- Partida ou parada de equipamentos próximos.
Por isso, sempre que possível, as medições devem ser realizadas em condições semelhantes de operação.
O mais importante é identificar tendências
Na manutenção preditiva, normalmente não se busca apenas descobrir quando uma máquina ultrapassou um limite.
O objetivo é perceber quando ela começou a mudar de comportamento.
Veja um exemplo:
| Data | Vibração RMS |
|---|---|
| Janeiro | 0,65 mm/s |
| Fevereiro | 0,68 mm/s |
| Março | 0,72 mm/s |
| Abril | 0,90 mm/s |
| Maio | 1,18 mm/s |
Mesmo antes de atingir um valor considerado crítico, o aumento contínuo já indica que algo pode estar acontecendo.
Essa tendência permite programar inspeções e manutenções antes que ocorra uma falha inesperada.
Quando devo me preocupar?
Alguns sinais merecem atenção especial:
- Aumento constante da vibração;
- Crescimento acelerado entre duas medições;
- Vibração acima dos limites definidos para o equipamento;
- Surgimento de ruídos ou aquecimento;
- Alteração do comportamento normal da máquina.
Quanto mais cedo essas mudanças forem identificadas, maiores são as chances de evitar uma parada não planejada.
O papel da análise de vibração
A análise de vibração não deve ser utilizada apenas para dizer se uma máquina está "boa" ou "ruim".
Ela é uma ferramenta para acompanhar a condição do equipamento ao longo do tempo e auxiliar a equipe de manutenção na tomada de decisões.
Quando utilizada de forma periódica, permite identificar alterações ainda em estágio inicial, reduzindo custos de manutenção e aumentando a confiabilidade dos equipamentos.
Transforme inspeções em dados.
O ICONECTE Vibra facilita esse acompanhamento registrando o histórico das medições de cada equipamento.
Assim, além de visualizar o valor atual da vibração, é possível comparar resultados anteriores, identificar tendências e acompanhar a evolução da condição da máquina.
Com essas informações, a tomada de decisão deixa de depender apenas da percepção do operador e passa a ser baseada em dados.
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