O que é FFT na análise de vibração e para que ela serve?

Série: Introdução à análise de vibração

Ao começar a estudar análise de vibração, é comum encontrar gráficos cheios de picos e frequências. Essas informações são geradas pela FFT (Fast Fourier Transform), uma das ferramentas mais importantes para diagnosticar falhas em máquinas rotativas.

Apesar do nome técnico, o conceito é mais simples do que parece. Neste artigo, você entenderá o que é a FFT, para que ela serve e por que ela é tão utilizada na manutenção preditiva.


O que é FFT?

FFT é a sigla para Fast Fourier Transform, ou Transformada Rápida de Fourier.

Enquanto o valor RMS informa a intensidade geral da vibração, a FFT mostra quais frequências compõem essa vibração.

Em outras palavras, ela transforma um sinal que varia ao longo do tempo em um gráfico que revela onde estão concentradas as vibrações.

Isso permite identificar padrões que muitas vezes não seriam percebidos observando apenas o valor total da vibração.


Como interpretar um gráfico FFT?

Em uma análise FFT, normalmente encontramos:

  • Eixo horizontal (X): frequência, geralmente em Hertz (Hz).
  • Eixo vertical (Y): amplitude da vibração.

Cada pico representa uma frequência presente na vibração do equipamento.

Alguns picos são esperados e fazem parte do funcionamento normal da máquina. Outros podem indicar o início de um problema mecânico.


O que a FFT pode ajudar a identificar?

A FFT é muito útil porque diferentes defeitos costumam produzir padrões característicos de frequência.

Entre os problemas que podem ser investigados estão:

  • Desbalanceamento;
  • Desalinhamento;
  • Folgas mecânicas;
  • Problemas em rolamentos;
  • Defeitos em engrenagens;
  • Vibrações causadas por componentes acoplados.

A análise do espectro ajuda o profissional de manutenção a entender qual é a provável origem da vibração.


A FFT substitui o RMS?

Não.

Na verdade, essas duas informações se complementam.

O RMS responde à pergunta:

"Quanto a máquina está vibrando?"

Já a FFT ajuda a responder:

"O que pode estar causando essa vibração?"

Por isso, é muito comum utilizar os dois indicadores juntos.

Primeiro observa-se se houve aumento da vibração. Depois, caso necessário, analisa-se o espectro FFT para investigar a possível causa.


Preciso entender todos os picos?

Não.

Esse é um dos maiores receios de quem está começando.

Interpretar um espectro FFT com profundidade exige conhecimento sobre dinâmica de máquinas, frequências características de rolamentos, velocidade de rotação e outros conceitos.

Mas isso não significa que a FFT seja útil apenas para especialistas.

Mesmo uma análise básica pode revelar alterações importantes quando comparada com medições anteriores.

À medida que a experiência aumenta, a interpretação do espectro também se torna mais precisa.


O histórico continua sendo essencial

Uma única FFT representa apenas um momento do equipamento.

Quando você acompanha o histórico das medições, torna-se mais fácil perceber o surgimento de novos picos ou o aumento da intensidade de determinadas frequências.

Essa comparação ajuda a identificar tendências e acompanhar a evolução de possíveis falhas.

Por isso, registrar medições periódicas é tão importante quanto realizar uma boa coleta.


A FFT é apenas uma ferramenta

É importante lembrar que a FFT não fornece um diagnóstico automático.

Ela apresenta informações que devem ser interpretadas em conjunto com outros fatores, como:

  • Histórico de vibração;
  • Valor RMS;
  • Condições de operação;
  • Temperatura;
  • Ruídos;
  • Inspeções visuais;
  • Histórico de manutenção.

Quanto mais informações estiverem disponíveis, maior será a confiabilidade da análise.


Como o ICONECTE Vibra utiliza a FFT

O ICONECTE Vibra disponibiliza a FFT como um recurso para complementar a análise das medições.

Além do valor RMS e do histórico de vibração, o espectro permite visualizar a distribuição das frequências presentes no equipamento, oferecendo mais informações para avaliar sua condição.

Assim, a equipe de manutenção pode acompanhar não apenas a evolução da vibração, mas também investigar possíveis causas quando ocorrerem alterações no comportamento da máquina.

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