Como converter mm/s, g e µm na análise de vibração? Entenda por que a frequência importa
Você recebeu uma medição de vibração em g, mas está acostumado a trabalhar com mm/s.
Ou encontrou um valor em mm/s RMS e precisa saber qual é o deslocamento correspondente em µm.
A primeira pergunta parece simples:
Como converter uma unidade de vibração para outra?
Mas existe um detalhe fundamental: quando a conversão envolve deslocamento, velocidade e aceleração, a frequência da vibração precisa ser conhecida.
Sem a frequência, não existe uma conversão única entre essas grandezas.
Neste artigo, vamos entender por quê e mostrar como fazer essas conversões corretamente.
As três principais grandezas da vibração
Uma vibração pode ser representada por três grandezas principais:
- Deslocamento — quanto o objeto se movimenta;
- Velocidade — quão rapidamente esse movimento acontece;
- Aceleração — quão rapidamente a velocidade muda.
Em análise de vibração, é comum encontrar essas grandezas em diferentes unidades.
Deslocamento
Pode aparecer, por exemplo, em:
- µm;
- mm;
- mils.
Velocidade
É comum encontrar:
- mm/s;
- m/s;
- in/s.
Aceleração
Pode ser apresentada como:
- m/s²;
- mm/s²;
- g.
O mesmo fenômeno pode ser representado por qualquer uma dessas grandezas.
Mas elas não são intercambiáveis sem considerar a frequência.
Por que a frequência importa?
Considere uma vibração senoidal.
Para uma determinada frequência, existe uma relação matemática entre deslocamento, velocidade e aceleração.
As relações são:
e:
Onde:
- d = deslocamento;
- v = velocidade;
- a = aceleração;
- f = frequência em Hz.
Portanto:
e:
Isso significa que a mesma aceleração pode representar uma velocidade diferente dependendo da frequência.
E o mesmo acontece com o deslocamento.
Um exemplo: 0,08 g equivale a quantos mm/s?
Imagine que uma medição apresentou:
0,08 g
Se alguém perguntar:
“Quanto isso representa em mm/s?”
a resposta é:
depende da frequência.
Primeiro, podemos converter g para aceleração:
Agora suponha que essa componente esteja em 30 Hz.
Aplicando:
temos aproximadamente:
4,17 mm/s
Agora mantenha exatamente os mesmos 0,08 g, mas considere uma frequência de 100 Hz.
O resultado passa a ser aproximadamente:
1,25 mm/s
Observe:
A aceleração é a mesma.
Mas a velocidade é diferente.
A única coisa que mudou foi a frequência.
A mesma aceleração pode representar deslocamentos muito diferentes
Essa relação fica ainda mais evidente quando analisamos o deslocamento.
Considere uma aceleração de:
1 g
aproximadamente:
9,81 m/s²
Para uma componente senoidal de 10 Hz, o deslocamento de pico é aproximadamente:
2,49 mm
Em 100 Hz:
24,9 µm
E em 1.000 Hz:
0,249 µm
Ou seja:
A mesma aceleração pode representar movimentos físicos completamente diferentes dependendo da frequência.
Essa é uma das razões pelas quais simplesmente converter um valor de aceleração para deslocamento sem conhecer a frequência pode produzir um resultado sem significado físico.
RMS, pico e pico-a-pico são outra questão
Além de escolher a grandeza — deslocamento, velocidade ou aceleração — precisamos saber como a amplitude está sendo representada.
Os valores mais comuns são:
- RMS;
- pico;
- pico-a-pico.
Por exemplo, considerando uma onda senoidal:
3,182 mm/s RMS
corresponde a aproximadamente:
4,500 mm/s pico
e:
9,000 mm/s pico-a-pico
A relação é:
e:
Mas existe uma ressalva importante
Essas relações são exatas para uma senoide.
Uma vibração real de uma máquina pode conter:
- harmônicos;
- impactos;
- múltiplas frequências;
- ruído;
- componentes transitórias.
Nesse caso, o pico real não necessariamente será igual a RMS × √2.
Portanto, não é correto assumir automaticamente que qualquer sinal de vibração possui essa relação.
Um exemplo completo
Considere uma vibração de:
3,182 mm/s RMS
em uma frequência de:
29,01 Hz
Para uma componente senoidal, podemos calcular:
Velocidade RMS
3,182 mm/s RMS
Velocidade de pico
≈ 4,500 mm/s pico
Velocidade pico-a-pico
= 9,000 mm/s pico-a-pico
Agora podemos calcular o deslocamento de pico:
Usando a velocidade de pico:
d ≈ 24,69 µm
Portanto:
- 3,182 mm/s RMS
- 4,500 mm/s pico
- 9,000 mm/s pico-a-pico
- 24,69 µm deslocamento pico
- 49,38 µm deslocamento pico-a-pico
representam a mesma componente senoidal de vibração, apenas expressa de formas diferentes.
E quanto isso representa em aceleração?
Também podemos calcular a aceleração.
Partindo da velocidade de pico:
Temos:
a ≈ 0,820 m/s²
Convertendo para g:
Resultado:
≈ 0,0836 g
Portanto, para essa condição:
3,182 mm/s RMS ≈ 0,0836 g pico
Mas atenção novamente:
Essa equivalência depende da frequência de 29,01 Hz e da hipótese de uma componente senoidal.
Não significa que exista uma conversão fixa entre mm/s e g.
Por que não posso simplesmente converter um valor global?
Aqui está uma das armadilhas mais importantes.
Imagine que um equipamento apresente um valor global de:
0,5 g RMS
Esse valor pode ser resultado da combinação de várias componentes:
30 Hz
60 Hz
120 Hz
250 Hz
500 Hz
...Cada frequência possui uma relação diferente entre:
aceleração → velocidade → deslocamento
Por isso, pegar o valor global de 0,5 g e escolher arbitrariamente uma frequência para convertê-lo em mm/s pode produzir um resultado enganoso.
Quando estamos analisando uma componente específica do espectro, a situação é diferente.
Se você sabe que determinada componente está em:
60 Hz
e possui determinada amplitude, pode calcular a grandeza equivalente naquela frequência.
É por isso que o espectro é tão importante
O espectro de frequência permite separar a vibração em suas diferentes componentes.
Em vez de observar apenas:
0,5 g
podemos encontrar algo como:
30 Hz → componente A
60 Hz → componente B
180 Hz → componente C
450 Hz → componente DAgora cada componente pode ser analisada individualmente.
Isso permite entender melhor a relação entre:
frequência × amplitude × grandeza
e evita interpretações erradas causadas pela conversão de um valor global usando uma única frequência.
Então qual unidade devo usar?
Depende do que você está tentando analisar.
De forma simplificada:
Velocidade — mm/s
É bastante utilizada para avaliação global da vibração de máquinas rotativas e aparece em critérios de severidade.
Aceleração — g ou m/s²
Pode ser especialmente útil para componentes de maior frequência e fenômenos como impactos.
Deslocamento — µm
Pode ajudar a representar amplitudes de movimento, especialmente em frequências mais baixas.
Nenhuma delas é simplesmente “melhor” em qualquer situação.
A escolha depende da máquina, da frequência analisada, do sensor e do objetivo da medição.
Use o conversor de unidades de vibração
Para evitar fazer essas contas manualmente, criamos o Conversor de Unidades de Vibração do ICONECTE Vibra.
A ferramenta permite informar:
- grandeza de entrada;
- valor;
- unidade;
- RMS, pico ou pico-a-pico;
- frequência.
E calcular as equivalências entre:
deslocamento ↔ velocidade ↔ aceleração
Além de converter unidades como:
mm/s ↔ m/s ↔ in/s
e:
m/s² ↔ g
A ferramenta também apresenta a conversão em dB quando aplicável.
[Converter minha medição de vibração]
Importante: para converter entre deslocamento, velocidade e aceleração, informe a frequência da componente analisada.
Conversão não é diagnóstico
Essa distinção é importante.
O conversor responde:
“Quanto esse valor representa em outra unidade?”
Ele não responde:
“Essa vibração é normal?”
Essa é uma análise de severidade.
Também não responde:
“Qual é a causa da vibração?”
Essa é uma questão de diagnóstico.
São etapas diferentes.
No ICONECTE Vibra, elas começam a formar uma sequência:
Converter → Classificar → Interpretar
Primeiro você entende o valor.
Depois verifica a severidade.
E então pode analisar as frequências e investigar possíveis causas.
Conclusão
Converter unidades de vibração não é apenas trocar mm/s por g ou µm por mm.
Quando a conversão envolve deslocamento, velocidade e aceleração, a frequência faz parte da própria relação matemática.
Por isso:
0,08 g não possui um único equivalente em mm/s.
É necessário conhecer a frequência da componente analisada.
Da mesma forma, um valor em mm/s pode representar deslocamentos muito diferentes dependendo da frequência.
E existe ainda uma segunda questão:
RMS, pico e pico-a-pico não são a mesma forma de representar a amplitude.
Entender essas diferenças evita erros simples, mas bastante comuns, na interpretação de medições de vibração.
[Acesse gratuitamente o Conversor de Unidades de Vibração do ICONECTE Vibra]
Se você já possui uma medição em g, mm/s, in/s ou µm, informe a frequência e veja as equivalências diretamente na ferramenta.
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